sábado, 11 de novembro de 2017

O pior inimigo do amor é... O meio amor!

O amor autentico é de si generoso. Tudo quanto existe de verdadeiramente grande remete ao Deus Criador e a estratégia do demónio para impedir o homem de seguir este caminho consiste em apresentar-lhe, como regra universal para todas as coisas, a banalidade.

Espíritos medíocres têm fobia de toda a excelência; julgam ser correctos apenas por dançar no meio, entre o vício e a virtude; esta é uma forma vil de negar a Deus o amor que Lhe devemos, pois no fundo O acusa de ser grande demais.

O demónio adapta-se a cada pessoa, procurando o modo mais eficaz de perde-la, e escolhe os meios mais adequados para abocanhar cada um.

A sentença ditada pelo Supremo Juiz contra os mornos é apresentada como mais grave do que aquela reservada aos maus declarados: " Não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! mas como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te! " ( Ap 3, 15-16 )

Ser medíocre significa disfarçar a maldade sob os véus de uma bondade falaz, feita de mediania.

Em suma, quem quer agradar a Deus verdadeiramente não pode contentar-se com menos que a perfeição e a excelência, buscando a cada dia um aperfeiçoamento individual constante e permanente.

Adaptado da revista Arautos do Evangelho, Número 174

sábado, 27 de julho de 2013

“O trabalho é a vocação original do homem”

        
O trabalho é a vocação original do homem; é uma bênção de Deus; e enganam-se lamentavelmente aqueles que o consideram um castigo. O Senhor, o melhor dos pais, colocou o primeiro homem no Paraíso – "ut operaretur", para trabalhar. (Sulco, 482)

Desde o começo da sua criação que o homem teve de trabalhar. Não sou eu quem o inventa. Basta abrir as primeiras páginas da Sagrada Bíblia para aí se ler que Deus formou Adão com o barro da terra e criou para ele e para a sua descendência este mundo tão formoso, ut operaretur et custodiret illum, com o fim de o trabalhar e de o conservar, e isto antes mesmo de o pecado entrar na humanidade e, como consequência dessa ofensa, a morte, as penas e as misérias.

Temos, pois, de nos convencer de que o trabalho é uma realidade magnífica, que se nos impõe como lei inexorável a que todos estamos submetidos, de uma ou de outra forma, apesar de alguns pretenderem eximir-se a ela. Aprendei-o bem: esta obrigação não surgiu como uma sequela do pecado original, nem se reduz a uma descoberta dos tempos modernos. Trata-se de um meio necessário que Deus nos confia na terra, alongando os nossos dias e tornando-nos partícipes do seu poder criador, para que ganhemos o nosso sustento e, simultaneamente, recolhamos frutos para a vida eterna: o homem nasce para trabalhar, como as aves para voar.

Talvez me digais que já se passaram muitos séculos, que muito pouca gente pensa desta maneira, que a maioria provavelmente se afana por motivos bem diversos: uns, por dinheiro; outros, para manter a família; outros, na mira de conseguir uma certa posição social, para desenvolver as suas capacidades, para satisfazer as suas paixões desordenadas, para contribuir para o progresso social. E todos, em geral, encaram as suas ocupações como uma necessidade de que não podem evadir-se.

Perante esta visão plana, egoísta, rasteira, tu e eu temos de recordar a nós mesmos e de recordar aos outros que somos filhos de Deus, a quem o nosso Pai dirigiu um convite idêntico ao daqueles personagens da parábola evangélica: filho, vai trabalhar na minha vinha. Posso assegurar-vos que aprenderemos a terminar as nossas tarefas com a maior perfeição humana e sobrenatural de que somos capazes, se nos empenharmos em considerar assim diariamente as nossas obrigações pessoais como ordem divina.

Textos de São José Maria, recebido por email.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A minha luta...

Já mencionei numa outra postagem o meu turtuoso caminho na fé. Tem sido dificil, muito dificil. As quedas são muitas, na verdade. Tenho passado muitas vezes pela desgraça da aridez, em que a oração é tão complicada e custosa. Mas, felizmente, Deus, na sua infinita bondade, tem sempre jogado a Sua Santa e boa mão à minha pessoa. E por esta razão, quero hoje, aqui, publicamente, agradecer a Deus tanto auxilio prestado, auxilio que eu, certamente não seria merecedora não fosse a sua infinita misericordia. Nos meus momentos de aridez a minha vida fica virada do avesso, nada corre bem, ando triste, deprimida, de mal com a vida, o trabalho não rende, os problemas surgem... Nestas alturas, por incrivel que pareça, Deus parece pegar em mim ao colo, quando parece que tudo vai desabar, e levanta-me, ajuda-me a retomar o caminho certo. Ajuda-me a retomar a minha disciplina espiritual, e quando ela é retomada, tudo, mas tudo na minha vida volta a correr bem; desde o mais pequeno afazer, a mais simples obrigação, tudo corre bem.

Meu Deus, como eu Te amo, obrigada Senhor por tudo. Perdoa-me meu Deus, por, tantas vezes, não ser suficientemente forte para resistir as terriveis e malignas tentações. Peço-te que, se for da tua vontade, continues a abençoar-me com a tua infinita misericordia. Abençoa também Senhor todas as pessoas do mundo que tanto precisam do Teu auxilio. Tudo para Tua glória meu Deus.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Hoje dedicamos o dia a São Nuno de Santa Maria

São Nuno de Santa Maria









Hoje é um dia importante. Festejamos a memória de um Grande Santo Português. Devemos ter orgulho, pois a nossa patria deu à luz mais um importante homem cujo exemplo deve servir como guia de nossas vidas. Para que todos fiquemos a saber um pouco mais acerca deste grande santo portugês, aqui fica um resumo da sua vida.

Nuno Álvares Pereira nasceu em Portugal a 24 de Junho de 1360, e recebeu a educação cavalheiresca típica dos filhos das famílias nobres do seu tempo.

Aos treze anos torna-se pajem da rainha D. Leonor, tendo sido bem recebido na Corte e acabando por ser pouco depois cavaleiro. Aos dezesseis anos casa-se, por vontade de seu pai, com uma jovem e rica viúva, D. Leonor de Alvim.

Da sua união nascem três filhos, dois do sexo masculino, que morrem em tenra idade, e uma do sexo feminino, Beatriz, a qual mais tarde viria a desposar o filho do rei D. João I, D. Afonso, primeiro duque de Bragança.

Quando o rei D. Fernando I morreu a 22 de Outubro de 1383 sem ter deixado filhos varões, o seu irmão D. João, Mestre de Avis, viu-se envolvido na luta pela coroa lusitana, que lhe era disputada pelo rei de Castela por ter desposado a filha do falecido rei.

Nuno tomou o partido de D. João, o qual o nomeou Condestável, isto é, comandante supremo do exército. Nuno conduziu o exército português repetidas vezes à vitória, até se ter consagrado na batalha de Aljubarrota (14 de Agosto de 1385), a qual acaba por determinar à resolução do conflito.

Os dotes militares de Nuno eram no entanto acompanhados por uma espiritualidade sincera e profunda. O amor pela Eucaristia e pela Virgem Maria são os alicerces da sua vida interior.

O estandarte que elegeu como insígnia pessoal traz as imagens do Crucificado, de Maria e dos cavaleiros S. Tiago e S. Jorge. Fez ainda construir às suas próprias custas numerosas igrejas e mosteiros, entre os quais se contam o Carmo de Lisboa e a Igreja de S. Maria da Vitória, na Batalha.

Com a morte da esposa, em 1387, Nuno recusa contrair novas núpcias, tornando-se um modelo de pureza de vida. Quando finalmente alcançou a paz, distribui grande parte dos seus bens entre os seus companheiros, antigos combatentes, e acaba por se desfazer totalmente daqueles em 1423, quando decide entrar no convento carmelita por ele fundado, tomando então o nome de frei Nuno de Santa Maria.

Impelido pelo amor, abandona as armas e o poder para revestir-se da armadura do Espírito recomendada pela Regra do Carmo: era a opção por uma mudança radical de vida em que sela o percurso da fé autêntica que sempre o tinha norteado.

O Condestável do rei de Portugal, o comandante supremo do exército e seu guia vitorioso, o fundador e benfeitor da comunidade carmelita, ao entrar no convento recusa todos os privilégios e assume como própria a condição mais humilde, a de frade Donato, dedicando-se totalmente ao serviço do Senhor, de Maria — a sua terna Padroeira que sempre venerou—, e dos pobres, nos quais reconhece o rosto de Jesus.

Significativo foi o dia da morte de frei Nuno de Santa Maria, aos 71 anos de idade. Era o Domingo de Páscoa, dia 1 de Abril de 1431. Após sua morte, passou imediatamente a ser reputado de “santo” pelo povo, que desde então o começa a chamar “Santo Condestável”.

Nuno Álvares Pereira foi beatificado em 23 de Janeiro de 1918 pelo Papa Bento XV através do Decreto "Clementíssimus Deus" e foi consagrado o dia 6 de Novembro ao, então, beato.

O Santo Padre, Papa Bento XVI, durante o Consistório de 21 de Fevereiro de 2009 determina que o Beato Nuno seja inscrito no álbum dos Santos no dia 26 de Abril de 2009.



São Nuno de Santa Maria, rogai por nós!

Fonte: Canção Nova

sábado, 20 de outubro de 2012

Regulamento para santificação pessoal ao longo do dia, segundo Santo Afonso Maria de Ligório



I – Levantar-se a uma hora certa, como por exemplo, às 5 horas ou às 5:30, e nunca alterar a hora sem causa justa;

II – Oferecer, logo que acordar, o coração a Deus, fazer o sinal da cruz e vestir-se prontamente e com modéstia; depois rezar de joelhos três Ave-Marias em honra do Coração Imaculado da Santíssima Virgem Maria para obter uma grande pureza de coração, de corpo e espírito;

III – Fazer a oração e meditação da manhã durante meia hora, ou ao menos por espaço de um quarto de hora.

IV – Assistir à Santa Missa todas as vezes que puder.

V – Fazer pelo menos um quarto de hora de leitura espiritual;

VI – Recitar o terço meditando em seus mistérios, sendo possível reze-o em família;

VII – Fazer a visita ao Santíssimo Sacramento e à Santíssima Virgem, na Igreja caso possível;

VIII – Dizer freqüentemente e dum modo especial, no principio e no fim do trabalho, orações jaculatórias, e fazer principalmente atos de amor a Deus como: “Ó meu bom Jesus! Eu vos amo. Eu quero amar-vos; fazei que eu vos ame muito, etc". não esquecendo a prática da comunhão espiritual;

IX – Exercitar-se na mortificação dos olhos, dos ouvidos, da língua, abstendo-se de olhar para coisas inúteis, de as escutar e dizer, ainda que não sejam perigosas, para deste modo mais facilmente se abster das más e perigosas;

X – Aproveitar as ocasiões de sofrer alguma pena, contradição ou humilhação por amor a Deus. Submeter-se em todas as contrariedades e padecimentos, em todas, à vontade de Deus, dizendo: "Oh! Meu Deus! Vós assim o quereis, a vossa vontade seja feita".

XI – Quando estiver à mesa, abster-se de alguma coisa de que mais goste; nunca saciar inteiramente o apetite, nem comer fora da hora da comida sem necessidade.

XII – Evitar a ociosidade, as más companhias, as más leituras e as ocasiões do pecado, especialmente aquelas em que a castidade pode sofrer perigo. Santo Afonso, Santa Tereza e muitos outros Santos dizem que uma das principais regras para a perfeição e santificação d’uma alma, é evitar a familiaridade das pessoas de diversos sexos, ainda que essas pessoas sejam religiosas, porque muitas vezes o demônio lança em nosso coração certas afeiçõezinhas menos puras para com elas, fazendo passar por espirituais coisas que são verdadeiras loucuras;

XIII – Fazer o sinal da cruz nas tentações, sobre tudo nas carnais, estando só e dizer no fundo do coração: "Jesus! Maria! José! Socorrei-me". Não se perturbar, se a tentação continuar, mas orar mais vivamente e dizer: "Ò meu Jesus! Antes quero morrer que ofender-vos".

XIV – Não se perturbar, se tiver a desgraça de cometer algum pecado mesmo grave, mas fazer um perfeito ato de contrição com o propósito de não cair mais e de confessar na primeira ocasião que puder.

XV – Fazer, em uma hora fixa, como por exemplo, às nove horas, a oração da noite e o exame de consciência; dizer os Atos cristãos e as Ladainhas da Santíssima Virgem depois de ler alguma coisa acerca do que deve meditar no dia seguinte;

XVI – Depois de ter rezado as três Ave Marias, como de manhã, despir-se com modéstia; estando na cama cobrir-se sempre com decência e conservar-se nela com modéstia; ocupar o espírito na meditação do dia seguinte, no pensamento da morte ou em qualquer outro santo pensamento, e fazer ou dizer as orações jaculatórias que puder, até que venha o sono.

XVII – Escolher um bom confessor, em quem tenha confiança; abrir-lhe bem o coração e deixar-se guiar pelos seus conselhos, e nunca o deixar sem grave motivo;

XVIII – Confessar-se uma vez por semana e comungar tantas vezes quantas o seu diretor permitir;

XIX – Nutrir no seu coração uma devoção constante e terna para com Maria Santíssima. Repetir a Ave Maria quando o relógio der horas, ao entrar em casa e ao sair, acrescentando: "Jesus Maria e José, eu vos amo; não permitais que eu vos ofenda". Jejuar nos sábados e na véspera das sete festas de Maria Santíssima. Fazer uma novena com preparação para cada uma delas, bem como as do Natal, Pentecostes e Santo Patrono. Trazer os escapulários ou algumas medalhas piedosas e inspirar aos outros a devoção à Maria Santíssima.

XX – Ouvir sermão todas as vezes que puder. Entrar em uma congregação, para se ocupar do que interessa a alma. Fazer com o mesmo fim um dia de retiro espiritual, todos os meses. E todos os anos exercícios espirituais por espaço de quatro ou cinco dias
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Adaptado do blog catolicostradicionais.blogspot.com

sábado, 28 de julho de 2012

“Não é difícil converter o trabalho em oração”

Para todos o que, como eu, são leigos e temos, todos os dias, de enfrentar a vida no meio do mundo, fica aqui mais um texto de São José Maria. Este ensina-nos como transformar as nossas actividades diárias numa oração permanente, servindo um pouco melhor o nosso Criador. Por muito que façamos, nunca conseguiremos fazer o suficiente, mas, como devemos buscar sempre a perfeição, utilizemos estes sábios conselhos para melhorar um pouco a nossa atitude cristã no nosso dia a dia.
        
"Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma é a oração. Por isso, não me canso de repetir que havemos de ser almas contemplativas no meio do mundo que procuram converter o seu trabalho em oração. (Sulco, 497)         
          Convencei-vos de que não se torna difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Basta oferecê-lo a Deus e meter mãos à obra, pois Ele já nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos o modo de ser das almas contemplativas, porque nos invade a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de terminar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço.
Se te decidires – sem fazer coisas esquisitas, sem abandonar o mundo, no meio das tuas ocupações habituais – a entrar por estes caminhos de contemplação, sentir-te-ás imediatamente amigo do Mestre e com o encargo divino de abrir os caminhos divinos da terra a toda a humanidade. Sim, com esse teu trabalho contribuirás para que se estenda o reinado de Cristo em todos os continentes e seguir-se-ão, uma atrás da outra, as horas de trabalho oferecidas pelas longínquas nações que nascem para a fé, pelos povos do leste barbaramente impedidos de professar com liberdade as suas crenças, pelos países de antiga tradição cristã onde parece que se obscureceu a luz do Evangelho e as almas se debatem nas sombras da ignorância...
Que valor adquire então essa hora de trabalho, esse continuar com o mesmo empenho durante um pouco mais de tempo, alguns minutos mais, até rematar a tarefa. Convertes assim, de um modo prático e simples, a contemplação em apostolado, como necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Nosso Senhor"